Publicado em: 14/12/2018 às 12h54

Agenesias dentárias e os implantes

Marco Bianchini traz detalhes de um artigo científico para debater esse desafio clínico frequente.

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Uma das grandes indicações dos implantes dentários são, sem dúvida alguma, as agenesias dentárias. A mais comum, e a que mais aparece, é a dos incisivos laterais. Recentemente, o nosso grupo do Cepid/UFSC (Centro de Ensino e Pesquisas em Implantes Dentários da Universidade Federal de Santa Catarina) publicou um artigo abordando este tema. Trago aqui o link para o artigo para discutirmos na coluna de hoje.

Neste relato de caso clínico, eu tive uma breve participação orientando a parte cirúrgica de colocação dos implantes. A etapa protética, que é o foco do artigo, foi realizada pelos autores do trabalho publicado: Edwin Ruales-Carrera DDS, MSc, PhD Student;  Madalena Lucia Pinheiro Dias Engler DDS, MSc, PhD Student; Paula Vaz DDS, PhD; Mutlu Özcan DDS, DMD, PhD; Claudia Angela Maziero Volpato DDS, MSc, PhD.

Uma paciente jovem, com alta demanda estética e insatisfeita com o sorriso (Figuras 1A e B), procurou atendimento odontológico, preocupada com a mobilidade de seus caninos decíduos e a falta de harmonia em sua dentição anterior. Após cuidadoso exame clínico e tomografia computadorizada de feixe cônico (Figura 2), foi possível evidenciar a ausência congênita bilateral de incisivos laterais superiores com a presença de caninos decíduos e transposição dos caninos permanentes para a posição dos incisivos laterais, bem como a irregular borda incisal dos incisivos centrais e ainda a presença de restaurações compostas realizadas para alterar a forma desses incisivos.

Figuras 1 A e B – Imagens intra e extraoral do caso. Observar a desarmonia do sorriso.

 

Figura 2 – Tomografia volumétrica do cone-bean. Observar a boa disponibilidade óssea com espaços mesiodistais adequados para a colocação de implantes.

 

O planejamento envolveu a colocação de dois implantes cone-morse de 3.5 x 12 mm (Implacil de Bortoli, São Paulo/BR) sem abertura de retalho e com a colocação de coroas provisórias em carga imediata, uma vez que a estética era fundamental. Essas coroas provisórias permaneceram em boca durante, aproximadamente, quatro meses para confirmar a osseointegração e a maturação dos tecidos moles. Posteriormente, foram realizados os tratamentos protéticos e estéticos finais: clareamento dentário, coroas de zircônia monolítica de alta translucidez minimamente revestidas, facetas feldspáticas e restaurações compostas.  As coroas de zircônia foram cimentadas sobre as bases de Ti (Ti Base – Implacil de Bortoli, São Paulo/ BR), como demonstram as figuras de 3 a 6.

 

Figuras 3A e 3B –  A. Aspecto cirúrgico após a cirurgia dos implantes imediatos com extração minimamente invasiva dos caninos decíduos sem liberação do retalho. B. Radiografias periapicais após implante imediato e colocação do pilar protético.

 

Figura 4 – Cicatrização com as coroas provisórias após quatro meses. Observar a boa condição tecidual peri-implantar.

 

Figura 5 – Tecidos saudáveis ao redor dos implantes após seis meses de controle, onde foram realizados: clareamento dentário, coroas de zircônia monolítica de alta translucidez minimamente revestidas, facetas feldspáticas e restaurações compostas.  As coroas de zircônia foram cimentadas sobre as bases de Ti (Ti Base – Implacil de Bortoli, São Paulo/BR). Comparar com a figura 1B.

 

Figura 6 – Aspecto final extraoral após seis meses de acompanhamento. Comparar com a figura 1A.

 

A ausência congênita de incisivos laterais superiores é um desafio clínico frequente, que deve ser resolvido por uma abordagem multidisciplinar, a fim de obter um tratamento restaurador estético e funcional. Os tratamentos não invasivos, que estão de acordo com as expectativas dos pacientes, devem ser a primeira alternativa terapêutica. Se o dente decíduo estiver presente, será indicada extração dentária minimamente invasiva, seguida de colocação imediata do implante dentário e restauração provisória. Neste tratamento restaurador, um perfil de emergência adequado pode ser alcançado por técnicas de condicionamento de tecidos moles peri-implantares. Além disso, a associação de materiais restauradores, como resinas compostas e cerâmicas odontológicas, fornece resultados estéticos mais previsíveis.

 

 

“Meu Deus, a minha alma se fartará, como de tutano e de gordura; e a minha boca te louvará com alegres lábios quando me lembrar de ti na minha cama, e meditar em ti nas vigílias da noite. Porque tu tens sido o meu auxílio; então, à sombra das tuas asas me regozijarei. A minha alma te segue de perto; a tua destra me sustenta.” (Salmos 63;5-8)


 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br